Brainstorm

Sobre diários e pessoas que mudaram a minha vida

Na primeira vez que voltei ao Brasil depois de ter me mudado pra Europa, minhas irmãs tinham separado uma caixa de coisas que talvez eu quisesse trazer comigo pro meu novo país.

Nos últimos anos, virei uma pessoa mais desapegada com coisas materiais, então pensei: “se não me fez falta por todos esses anos, não tem motivo pra eu querer agora”. Mas não custava nada dar uma olhadinha nas coisas que estavam à minha espera, né?

Entre itens que eu não tinha mais interesse, lá estavam meus diários. Eu sempre amei escrever e colocar meus sentimentos pra fora: tive dezenas de blogs e diários. Então decidi trazer na mala uma caixa com todos os meus 6 diários de quando eu tinha entre 13 e 19 anos — e completamente preenchidos.

Essa semana, depois de uns 4 anos que já tinha eles aqui, decidi ler um pouquinho sobre meus devaneios adolescentes. Entre várias histórias de paixões da adolescência (que me renderam muitas risadas enquanto lia), relatos de começos de amizades que carrego até hoje, planos que eu tinha pro futuro e vários checklists de coisas que eu planejava fazer, acabei encontrando várias opiniões e ideias no meu diário de quando tinha 16-17 anos que mostraram o quanto eu já tinha amadurecido naquela época.

Mas o jeito que comecei a escrever e a enxergar o mundo a partir daquela idade era tão diferente dos meus diários de 14 e 15 anos, que parecia que aquelas ideias que não eram minhas. Parecia que eu havia roubado elas de alguém. Ou de várias pessoas, na verdade.

Foi aí que percebi: foi nessa mesma época que comecei a ler Martha Medeiros, Caio Fernando Abreu, Clarice Lispector, Jane Austen, Jostein Gaarder, John Green e John Boyne, e foi quando comecei a mergulhar no mundo de Woody Allen e Richard Linklater. Já a influência do mundo musical na minha vida foi precoce: muito antes dos 17 anos eu já tinha Raul Seixas, Cazuza, Renato Russo, Beatles, Queen, que foram apresentados pelo meu pai.

Então, pensei: além de experiências, somos feitos de livros, filmes e músicas. E se somos feitos de arte, onde é que entram as nossas próprias ideias e opiniões? Ou será que somos um compilado de tudo o que vivenciamos, lemos, ouvimos e vemos?

Será que Jostein Gaarder também é tão humano quanto nós e é um compilado de tudo o que vivenciou, leu, ouviu e viu?

Além dessa revelação, foi tão bom mergulhar um pouquinho no meu mundo de 11 anos atrás! Consegui ver exatamente quais experiências na minha linha do tempo me fizeram ser o que sou hoje. Foi tão especial que me fez voltar a escrever com frequência no meu atual diário.

Voltei a fazer isso não por mim, mas pela Bruna de 40 anos que vai ler ele daqui 12 anos. Mal posso esperar 🙂

(Obrigada, irmãs, por não terem jogado meus diários fora!)

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