Brainstorm

De repente, 30

Eu nunca tive nenhum medo ou problema em fazer 30 anos, como vejo que a maioria das pessoas tem.
Na verdade, eu sempre achei super interessante a ideia de passar para a próxima casinha da idade, de deixar de ter o 2 como o número inicial.
E, se você pegar meus diários de adolescência, vai ver que, em algum ponto, eu escrevi “mal posso esperar pra ter 30 anos!”.

Mas venho hoje aqui confessar que, agora que o 3 vai começar a tomar conta, eu ando pensando: se tantos filmes e seriados falam sobre a grande chegada dos 3.0, quem sou eu para estar animada com isso? Se tantas pessoas sentem um certo medo dessa mudança, eu também deveria ter, não?

Acontece que, quando eu era adolescente, imaginava que com 30 anos eu fosse ser uma pessoa completamente diferente do que era naquela época. Eu seria uma pessoa que não cometeria mais erros, que não falaria mais o que não deve, que não teria inseguranças, que não teria mais pensamentos confusos, nem arrependimentos, que não passaria mais vergonha, que teria seu futuro definido e planejado, ou alguém que saberia exatamente o que fazer na vida profissional.

No entanto, a não ser que tudo magicamente mude de 23:59 para 00:00, ainda sinto tudo isso acima.

Por outro lado, é muito fácil focar na parte que está faltando e esquecer da parte que sou hoje, da parte que não sabia que me tornaria, da parte que veio como surpresa, da parte que conquistei, das partes que tenho orgulho:

Ter me tornado mais consciente dos meus pensamentos, por ter começado a identificar mais o que eu quero (e não o que as pessoas querem de mim), por ter começado a me amar mais (apesar dessa parte ainda ser tão difícil), por ter conhecido filmes que literalmente mudaram a minha vida, por ter ouvido músicas que me fazem você dançar sozinha na sala em plena quarta-feira, por ter visitado países que dão um arrepio no corpo na primeira caminhada, por amar a minha própria companhia, por ter tido a coragem de mudar para uma cidade desconhecida, por ter descoberto que eu amo o meu Brasil (o amor que eu não sentia até ir embora), por rir todo dia até minha barriga doer (risadas geralmente causadas pelo meu companheiro de vida e melhor amigo), por ter descoberto que o contato com a natureza é cura pra praticamente tudo, por ter aprendido a apreciar mais os momentos que não são compartilhados nas redes sociais, por ter morado em casas que me fizeram muito feliz, por estar ainda mais conectada e próxima das pessoas da minha vida, por estar conseguindo remover o perfeccionismo da minha vida, por ter cheiros, gostos e sensações que deixam minha vida mais gostosa e feliz, por ter lido histórias que me fizeram enxergar o lado de outras pessoas e, como consequência, ter saído da minha bolha limitada de conhecimento, por ter finalmente entendido que a vida é melhor quando a gente vive um dia de cada vez, e por agora finalmente saber que não tem problema ver que não cheguei na versão de 30 anos que a minha versão adolescente imaginava que eu seria. Afinal, eu era adolescente. O que eu iria saber sobre a vida ou sobre quem eu me tornaria até aqui?

Na verdade, chego a ficar feliz em saber que não me tornei essa pessoa livre de erros e isenta de inseguranças. Dessa forma, tenho mais liberdade pra ser exatamente quem eu sou.

Uma versão por vez.

all of me

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